O fim da corrida literária: por que ler menos pode te ensinar mais
Todo começo de ano traz a mesma promessa silenciosa: “esse ano eu vou ler mais”. Mais livros, mais páginas, mais metas cumpridas.
Mas em algum momento, quase sem perceber, a leitura deixou de ser encontro e virou desempenho. Uma corrida egóica disfarçada de hábito. Ler 20, 30, 50 livros virou um símbolo de produtividade e, para muitas de nós, mais uma fonte de cobrança.
Talvez 2026 peça outra pergunta: e se, em vez de ler mais, a gente lesse melhor?
Não melhor no sentido técnico. Melhor no sentido de mais consciente, mais aplicado, mais vivido.
Informação não é sabedoria, e nunca foi.
Vivemos na era da informação abundante. Nunca foi tão fácil acessar ideias profundas, conceitos transformadores, filosofias inteiras em poucos cliques. Ainda assim, nunca estivemos tão confusas, cansadas e desconectadas.
Isso acontece porque informação, conhecimento e sabedoria não são a mesma coisa.
Informação é aquilo que você consome. Uma frase grifada, uma ideia interessante, um conceito novo.
Conhecimento é quando essa informação começa a fazer sentido dentro de um contexto.
Sabedoria é quando esse conhecimento muda a forma como você vive, decide e reage.
A sabedoria não mora no que você sabe. Ela mora no que você encarna.
Se você já leu sobre presença, mas vive acelerada. Já leu sobre limites, mas continua ultrapassando os seus. Já leu sobre simplicidade, mas segue sobrecarregada…
Talvez o problema não seja falta de leitura, mas excesso de consumo e pouca digestão.
Um exemplo prático:
Informação: Você lê no livro “O Amor pelas Coisas Imperfeitas” a frase: “A compaixão por si mesma é o primeiro passo para a cura.”
Conhecimento: Você compreende que a autocompaixão não é autoindulgência, mas sim tratar a si mesma com a mesma gentileza que ofereceria a uma amiga querida. Entende que a autocrítica excessiva gera mais sofrimento, não mais crescimento. Consegue ver isso na sua vida e até explicar isso para as pessoas.
Sabedoria: Você comete um erro no trabalho, em vez de se martirizar, você lembra do conhecimento adquirido, para, respira e escolhe se tratar com gentileza: “Errei, é humano. O que posso aprender disso?”. Essa mudança na forma como você se relaciona consigo mesma transforma não só aquele momento, mas toda sua relação com os desafios da vida.
A informação virou conhecimento quando você entendeu o conceito. Virou sabedoria quando mudou sua voz interna.

Menos livros, mais presença
Transformar leitura em sabedoria exige uma mudança simples e radical: desacelerar.
Ler menos livros pode ser um ato profundamente consciente quando você escolhe:
• Ficar mais tempo com um mesmo autor
• Ler poucos parágrafos e deixar que eles ecoem ao longo do dia
• Voltar a um mesmo livro mais de uma vez
• Permitir que uma única ideia atravesse sua rotina, suas conversas, suas escolhas
Ler assim não é improdutivo. É íntimo. É honesto. É transformador.
Quando a vida vira o livro principal
Existe algo libertador em reconhecer que os livros não são a única, nem a principal fonte de sabedoria.
A vida ensina o tempo todo.
Nas conversas profundas que nos atravessam. Nos silêncios que revelam o que já sabemos. Nos erros que doem, mas refinam. Nos limites que nos obrigam a escolher diferente.
Cada pessoa é uma biblioteca viva. Cada experiência, um capítulo. Cada pausa, uma frase que só se entende quando se sente.
Os livros deixam de ser manuais e passam a ser companheiros de jornada, não para substituir a vida, mas para iluminá-la.
5 indicações para 2026: livros que pedem presença
Em vez de uma lista obrigatória, vejo estas como cinco portas para a reconexão:
Para se reconectar com o corpo: “Outlive” – Peter Attia. A ciência da longevidade explicada de forma simples e aplicável.
Para se reconectar com seus limites: “Aurora: O Despertar da Mulher Exausta” – Marcela Ceribelli. Um chamado para reconhecer que não precisamos dar conta de tudo.
Para se reconectar com a simplicidade: “A Riqueza da Vida Simples” – Gustavo Cerbasi. Reflexões sobre o que realmente importa.
Para se reconectar com a aceitação: “O Amor pelas Coisas Imperfeitas” – Haemin Sunim. Um convite gentil à autoaceitação e mindfulness.
Para se reconectar com sua força: “O Obstáculo é o Caminho” – Ryan Holiday. Como transformar dificuldades em crescimento através da filosofia estoica.
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Um convite para 2026
Talvez 2026 não precise de uma lista extensa de leitura. Talvez precise de uma pergunta honesta a cada livro:
Como isso pode ser vivido — hoje — na minha vida real?
Se a leitura não atravessa sua forma de estar no mundo, ela vira acúmulo. Quando atravessa, vira sabedoria.
Que neste ano novo você leia menos por obrigação e mais por verdade. Menos para marcar como concluído e mais para permitir que transforme.
Porque, no fim, o livro mais importante que você vai escrever não está na estante, está na forma como você vive o que já leu.
Por hoje é isso. Obrigada por me acompanhar nessa reflexão.
Feliz Ano Novo!
Até logo, com amor,
Luisa Durante

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